O Embaixador

Aldrik Gierveld

Embaixador em Brasília

Aldrik Gierveld é Embaixador do Reino dos Países Baixos desde 2025.

Veja o Curriculum Vitae do embaixador Gierveld em Rijksoverheid.nl (em holandês).

Entrevista Aldrik Gierveld - Conheça o embaixador

 

 

O que o motivou originalmente a trabalhar no Ministério das Relações Exteriores?

“Meu caminho em direção à diplomacia foi moldado por diferentes interesses em momentos distintos. Inicialmente, considerei a possibilidade de me tornar jornalista. Movido pelo desejo de compreender melhor como o mundo funciona e onde se situam as relações de poder, decidi estudar ciência política em Amsterdã. Durante meus estudos, senti um interesse crescente em aprofundar meu entendimento nesses temas e, por isso, passei a estudar direito paralelamente à ciência política.

Isso despertou em mim o interesse em me tornar advogado, especialmente pelas questões relacionadas à forma como conflitos e problemas são resolvidos e ao que nós, enquanto sociedades, consideramos justo. Ao mesmo tempo, meu interesse por política internacional permaneceu forte. Durante meu serviço militar, no período do conflito Leste-Oeste, tive pela primeira vez um contato muito concreto com as relações internacionais. Essa experiência marcou profundamente meu percurso.

Naquele momento, pensei que talvez a diplomacia fosse um caminho para mim. Decidi tentar e me candidatei ao Ministério das Relações Exteriores, onde iniciei minha carreira em 1990. Nunca deixei o Serviço Diplomático, embora tenha sido cedido à Comissão Europeia, ao Ministério do Clima e Meio Ambiente e ao Ministério da Agricultura. Trabalhar para o governo — e especialmente no Ministério das Relações Exteriores — reuniu muitos dos meus interesses.”

Qual foi a primeira coisa que o chamou atenção no Brasil, na paisagem urbana e no modo de vida?

“O Brasil não me era desconhecido antes de minha chegada. Lembro-me de que, ainda durante os anos escolares, escrevi um trabalho sobre o país. Já naquela época, apenas olhar para o mapa despertava fascínio: a escala continental do Brasil, seu vasto território e a abundância de recursos naturais, como água e florestas, eram impressionantes.

O Brasil é um país jovem, com uma população extremamente diversa, moldada ao longo do tempo por diferentes grupos: os povos indígenas que aqui já viviam, a diversidade desses povos, as pessoas escravizadas que foram trazidas à força e as muitas ondas de migração provenientes de diferentes partes do mundo. O Brasil é, de fato, um grande caldeirão cultural. Essa diversidade é claramente visível no cotidiano e na paisagem urbana. É possível sentir uma sociedade formada por múltiplas histórias e influências.

Acredito que Brasília, em particular, reflete algo que considero característico do Brasil. É uma cidade construída a partir da ideia de que o futuro pode ser deliberadamente moldado — de que um país pode decidir criar algo novo e ambicioso. Existe aqui um espírito pioneiro, uma crença de que o futuro está aberto e ainda em construção. Essa combinação de juventude, diversidade e olhar voltado para o futuro torna o Brasil um lugar fascinante para se vivenciar e conhecer.”

Os Países Baixos e o Brasil mantêm relações diplomáticas de longa data. Qual é a importância dessas relações?

“No mundo atual, relações bilaterais sólidas são mais importantes do que nunca. O Brasil é um parceiro-chave para os Países Baixos em muitos temas globais. Desenvolvimentos em nível mundial se refletem no Brasil, abrangendo desde crescimento econômico, comércio e investimentos até o funcionamento da democracia, o combate ao crime organizado, a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas.

O Brasil é um parceiro essencial quando se trata de encontrar soluções conjuntas para desafios globais compartilhados. Os Países Baixos e a Europa precisam do Brasil como parceiro para enfrentar esses desafios, assim como o Brasil pode se beneficiar de uma cooperação internacional confiável e da expertise holandesa e europeia. Ambos temos uma forte orientação para o futuro e uma atuação internacional significativa.

A relação entre os Países Baixos e o Brasil também envolve cooperação entre governos, empresas e instituições de conhecimento, além da troca de experiências e aprendizado mútuo. Nosso foco compartilhado no futuro confere força e relevância à relação bilateral.”

 

O que os Países Baixos podem aprender com o Brasil?

“O Brasil atua em uma escala e com um nível de complexidade diferentes daqueles aos quais estamos acostumados nos Países Baixos. Lidar com essa escala exige realismo e pragmatismo, assim como a capacidade de passar de discussões abstratas para ações concretas.

O Brasil é um país que opera em um contexto dinâmico e continua enfrentando desafios significativos. Observar como isso influencia os processos de tomada de decisão e de ação oferece perspectivas valiosas. É útil refletir sobre como um forte foco no futuro e a disposição para continuar construindo podem ajudar a atravessar períodos de rápidas mudanças e incertezas.”

O que o senhor mais espera em seu próximo período como embaixador?

“O que mais espero é conhecer melhor o país e seu povo. O Brasil é extraordinariamente diverso, e cada encontro representa uma nova oportunidade de aprofundar minha compreensão sobre sua sociedade, cultura e diferentes perspectivas. Também aguardo com expectativa a possibilidade de trabalhar conjuntamente em resultados concretos e de continuar compartilhando a história dos Países Baixos no Brasil.

Viajar pelo país, do norte ao sul e do leste ao oeste, é uma parte importante desse processo. Conhecer pessoas de diferentes segmentos da sociedade brasileira e ouvir suas histórias me ajuda a compreender melhor as realidades do país e as questões que são mais relevantes para elas. Para mim, cada encontro contribui para a construção de uma conexão mais forte com o Brasil e seu povo.”